19 agosto 2016

A geração que encontrou sucesso no pedido de demissão



Por Ruth Manus

O cenário é mais ou menos esse: amigo formado em comércio exterior que resolveu largar tudo para trabalhar num hostel em Morro de São Paulo, amigo com cargo fantástico em empresa multinacional que resolveu pedir as contas porque descobriu que só quer fazer hamburger, amiga advogada que jogou escritório, carrão e namoro longo pro alto para voltar a ser estudante, solteira e andar de metrô fora do Brasil, amiga executiva de um grande grupo de empresas que ficou radiante por ser mandada embora dizendo "finalmente vou aprender a surfar".

Você pode me dizer "ah, mas quero ver quanto tempo ele vão aguentar sem ganhar bem, sem pedir dinheiro para os pais.". Nada disso. A onda é outra. Venderam o carro, dividem apartamento com mais 3 amigos, abriram mão dos luxos, não ligam de viver com dinheiro contadinho. O que eles não podiam mais aguentar era a infelicidade.

Engraçado pensar que o modelo de sucesso da geração dos nossos avós era uma família bem estruturada. Um bom casamento, filhos bem criados, comida na mesa, lençóis limpinhos. Ainda não havia tanta guerra de ego no trabalho, tantas metas inatingíveis de dinheiro. Pessoa bem sucedida era aquela que tinha uma família que deu certo.

E assim nossos avós criaram os nossos pais: esperando que eles cumprissem essa grande meta de sucesso, que era formar uma família sólida. E claro, deu tudo errado. Nossos pais são a geração do divórcio, das famílias reconstruídas (que são lindas, como a minha, mas que não são nada do que nossos avós esperavam). O modelo de sucesso dos nossos avós não coube na vida dos nossos país. E todo mundo ficou frustrado.

Então nossos pais encontraram outro modelo de sucesso: a carreira. Trabalharam duro, estudaram, abriram negócios, prestaram concurso, suaram a camisa. Nos deram o melhor que puderam. Consideram-se mais ou menos bem sucedidos por isso: há uma carreira sólida? Há imóveis quitados? Há aplicações no banco? Há reconhecimento no meio de trabalho? Pessoa bem sucedida é aquela que deu certo na carreira.

E assim nossos pais nos criaram: nos dando todos os instrumentos para a nossa formação, para garantir que alcancemos o sucesso profissional. Nos ensinaram a estudar, investir, planejar. Deram todas as ferramentas de estudo e nós obedecemos. Estudamos, passamos nos processos seletivos, ocupamos cargos. E agora? O que está acontecendo?

Uma crise nervosa. Executivos que acham que seriam mais felizes se fossem tenistas. Tenistas que acham que seriam mais felizes se fossem bartenders. Bartenders que acham que seriam mais felizes se fossem professores de futevolei.

Percebemos que o sucesso profissional não nos garante a sensação de missão cumprida. Nem sabemos se queremos sentir que a missão está cumprida. Nem sabemos qual é a missão. Nem sabemos se temos uma missão. Quem somos nós?

Nós valorizamos o amor e a família. Mas já estamos tranquilos quanto a isso. Se casar tudo bem, se separar tudo bem, se decidir não ter filhos tudo bem. O que importa é ser feliz. Nossos pais já quebraram essa para a gente, já romperam com essa imposição. Será que agora nós temos que romper com a imposição da carreira?

Não está na hora de aceitarmos que, se alguém quiser ser CEO de multinacional tudo bem, se quiser trabalhar num café tudo bem, se quiser ser professor de matemática tudo bem, se quiser ser um eterno estudante tudo bem, se quiser fazer brigadeiro para festas tudo bem?

Afinal, qual o modelo de sucesso da nossa geração?

Será que vamos continuar nos iludindo achando que nossa geração também consegue medir sucesso por conta bancária? Ou o sucesso, para nós, está naquela pessoa de rosto corado e de escolhas felizes? Será que o sucesso é ter dinheiro sobrando e tempo faltando ou dinheiro curto e cerveja gelada? Apartamento fantástico e colesterol alto ou casinha alugada e horta na janela? Sucesso é filho voltando de transporte escolar da melhor escola da cidade ou é filho que você busca na escolinha do bairro e pára para tomar picolé de uva com ele na padaria?

Parece-me que precisamos aceitar que nossos modelo de sucesso é outro. Talvez uma geração carpe diem. Uma geração de hippies urbanos. Caso contrário não teríamos tanta inveja oculta dos amigos loucos que "jogaram diploma e carreira no lixo". Talvez - mera hipótese - os loucos sejamos nós, que jogamos tanto tempo, tanta saúde e tanta vida, todo santo dia, na lata de lixo.

Fonte: Estadão



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12 agosto 2016

Renovando o visto de estudante na Irlanda - Stamp2


E chegou a hora de renovar meu visto! Meu GNIB expirou em 7 de agosto de 2016 e vim hoje renovar, até onde eu sei você tem até 21 dias para regularizar seu visto depois que ele vence.

Cheguei às 6h40 e a fila dobrava a esquina, peguei a senha 77. Fui atendida às 10h55, e às 11h45 saí com meu cartão do GNIB.

Não me questionaram absolutamente nada, ela apenas perguntou se eu morava no mesmo endereço e pediu pra eu colocar o cartão na máquina. Ela não pediu nada relacionado ao exame TIE, apesar de eu ter feito. Levei apenas a Exit Letter da Erin e o certificado, meu attendence era 84%.

Documentos necessários para renovar: 
- Exit Letter da sua antiga escola
- School Letter da sua nova escola
- Seguro Governamental
- Passaporte
- GNIB antigo

Recebi 8 meses de visto, até 16 de abril de 2017.

A imigração já anunciou que irá implantar um sistema de agendamento online para acabar com as filas. Algo parecido como já acontece para tirar o PPS, ou para tirar o passaporte no Brasil. Acho que a mudança será bem positiva, porque madrugar no frio da fila da imigração.

Eu renovei com a SEDA College, consegui uma promoção e meus ex-flatmates que estudavam lá falavam muito bem da escola: que eles tinham várias atividades extras e também um programa de estágio, o que me interessou bastante. Minhas aulas começam dia 29 de agosto, aí conto pra vocês como foi.

Agora é aproveitar meus últimos dias antes de voltar pra aula!


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05 agosto 2016

Viajar de mochilão x mala de rodinhas



Hoje trago uma questão que foi dúvida antes e agora ao final do meu primeiro mochilão pela Europa posso dar a minha opinião.

Depois de organizar toda a minha viagem (passagens, hospedagens, etc) fiquei na dúvida entre ir de mala de rodinhas (a famosa padrão Ryanair) e um mochilão. Como o check out dos hostels geralmente é às 10h da manhã eu teria que andar com a minha mala em alguns lugares, então optei por um mochilão.

Já no primeiro dia, em Bruxelas, estava tão calor que foi impossível ficar com o mochilão, acabei deixando no guarda-volumes da estação central para aproveitar melhor o dia.

E foi assim o restante da viagem. Eu teria pago também para deixar a mala de rodinha? Sim, mas seria mais fácil me locomover com ela, já que meu mochilão estava tão pesado no final da viagem que era impossível andar com ele.

No último dia em Cracóvia, saí do nosso apartamento às 9h da manhã e meu ônibus sairia só a noite. Eu teria mais um dia para aproveitar, se não fosse o bendito mochilão. Eu estava tão cansada da JMJ que não conseguia andar com ele por muito tempo, então decidi passar o dia em uma galeria perto da estação, já que não havia lugar para deixá-lo.

Acredito que minha viagem teria sido mais fácil se eu tivesse ido de mala de rodinhas. Talvez se meu mochilão não estivesse, talvez se eu fosse mais forte, talvez se não estivesse tão calor... enfim, cada pessoa tem uma experiência e essa foi a minha. Nas minhas próximas viagens vou voltar a usar minha boa e velha malinha "padrão Ryanair".


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